Ousadia: corrigir o Times

O pessoal do Junk Charts chamou um gráfico do Times de “tricotado”, dizendo que uma simples tabela seria mais útil.
nyt_tuitionfree2.png
O Gráfico original e completo está aqui.
Resolvi dedicar uns 15 minutos para fazer minha proposta. Meu inglês me permitiu entender que o gráfico mostra as condições mínimas para uma universidade conceder certas bolsas aos alunos. Considerei que é mais importante saber quais bolsas cada universidade cede do que quais são os valores máximos de renda do aluno para obter tais bolsas. Então, aqui está minha tabela, com umas cores perfeitamente dispensáveis, mas que ajudam um pouco na comprensão.
universities.jpg

Aproveitamento

aids page numbers
O Cape Argus, jornal sul-africano, aproveitou os números de suas páginas para divulgar dados sobre aids. Gosto dessas intervenções que atravessam o jornal inteiro, apesar que devem ser bem difíceis de implementar sem um diretor que goste da idéia. Visto em Information Aesthetics.

Font game

The Rather Difficult Font Game. Na real não é nem um pouco difícil. Acertei 30 de 34.

Aprendendo com o Guardian

propaganda guardian“Grite todo dia e é difícil ver o importante” (agradeço traduções melhores).
É a publicidade nos ensinando a como escrever e/ou diagramar um jornal.
Vi aqui.

Tipografia reinterpretada

Tipografia reinterpretada, ainda que involuntariamente: “x” de ponta-cabeça, “g” e “b” trocados. Edifício Luxembourg, Curitiba.

Edificio Luxembourg

Estatísticas da cultura pop

Para produzir qualquer coisa é necessário matéria prima de qualidade. No caso de infográficos e afins, essa matéria prima são dados, que geralmente vêm de pesquisas, institutos de estatísticas etc. Nestes dois casos, os dados vêm da… cultura pop.
O primeiro trabalho: estatísticas comparando as quatro versões de Rambo. Notamos que Rambo matou cada vez mais pessoas, e fez isso usando camiseta, ao contrário dos três primeiros filmes. Teria rendido alguns gráficos, se o New York Times, de onde intuo que escanearam a tabela, tivesse tido a insensatez de disponibilizar mais espaço. Vi no scrapbook de um amigo, que me levou a um blog, que me levou até aqui.
Tabela do Rambo

Se o Times não tem tempo para infográficos vindos da cultura pop, Stefanie Gray tem. A partir de uma música do Ludacris (um rapper daqueles que me parecem todos iguais) na qual ele cita os códigos de área dos telefones das mulheres que ele já pegou, fez um mapa com as localidades citadas. Nem o post do StrangeMaps onde vi este trabalho nem o Google dizem quem Stefanie Gray é; se souber eu aviso.
RapAreaCodes

Clichês além do roteiro

Que cinema é uma indústria e filmes são produtos quase comparáveis a sabão em pó, ninguém duvida. Afinal, o objetivo dos grandes estúdios é ganhar dinheiro. Resultado: filmes que parecem saídos do mesmo molde: mesmo roteiro, direção de fotografia óbvia, os mesmos canastrões nos papéis principais, o beijo romântico para agradar as meninas e a perseguição de carro pro menino não se entediar.
Enfim, clichês. E os cartazes não fogem às formulas prontas. Alguns designers/blogueiros demostram isso:

O primeiro é este trabalho de Armin Vit, em que ele analisa as cores usadas em cartazes de filmes. As tiras de cores estão organizadas segundo a censura do filme. Na parte de baixo temos filmes infantis e suas cores vivas, e vemos que tons de pele, cores avermelhadas e fundos pretos ficam mais freqüentes a medida que a censura dos filmes aumenta (parte de cima do gráfico).
Movie Color Spectrum


O segundo é um vídeo do Goodie Bag que vi no Brainstorm #9. No vídeo, um designer fala sobre a onipresença da Trajan em cartazes de filme.




E como tipografia não é só escolher fontes, um post do Ironic Sans sobre falta de cuidados com kerning em filmes. E Nick Fruhlingtambém faz suas observações a respeito .

Clichês e preconceito

Os cartazes que foram feitos para tentar fisgar espectadores incautos causam efeito contrário em mim. Escolho com cuidado os pouquíssimos filmes que assisto, e se o cartaz do filme traz Trajan brilhantes, sedas vermelhas ou caracteres em OCR-A meio esverdeados, fujo dele.
Coisas Belas e Sujas
Foi assim que relutei em assistir Coisas Belas e Sujas. O cartaz acima responde aos clichês acima, e compensa a falta de Trajan com uma faca infiltrada na tipografia. Porém, o filme é ótimo, e usa a questão do tráfico de órgãos para contar histórias de dois imigrantes ilegais em Londres. Lindo. Por isso, cuidado: atrás de um cartaz duvidoso pode ter uma grande obra.

Pequena diferença de escala

mapa flechabus
Mapa encontrado no terminal de ônibus de Retiro, em Buenos Aires. O percurso dos ônibus ficava muito pequeno no mapa do Brasil, e estas pessoas acreditam no poder icônico dos mapas dos países. Então, estica essa linha! Porto Alegre foi parar quase em Camboriú, e Camboriú no interior da Bahia, mas tudo bem. O importante é ficar “bonitinho”.

Jesus, etc.

similar diversity
Este post do Infografistas me lembrou que tenho que falar do excelente trabalho que é o Similar Diversity. Já falei dele em um mini-debate que fiz no Paralelo. Realizado a partir dos textos das escrituras sagradas das cinco maiores religiões, reúne simplicidade e complexidade, permite leituras a diferentes distâncias, e sua neutralidade permite que quem o lê tire suas próprias conclusões.

similar diversity
As cinco cores representam cada uma das religiões. As palavras maiores são entidades, e seu tamanho é definido pelo número de vezes que é citado nas escrituras. As três maiores são “Godâ€, “Lord†e “Youâ€. Debaixo de cada entidade, um ranking das ações realizadas por cada uma delas (a ação mais citada para “You†é “shouldâ€). Ao redor de cada uma das entidades, o semicírculo é dividido proporcionalmente para cada religião que a cita (â€Lord†é citado nas cinco, e “Allahâ€, somente no Islamismo). Os arcos maiores relacionam as palavras e cada uma delas tem uma porcentagem de alguma coisa, infelizmente não sei do quê; o gráfico foi concebido como uma instalação, e a melhor imagem a que tive acesso foi essa aí de cima (cortesia do Chiqui, do Infografistas, que atendeu à sugestão que fiz no seu blog).
Se tivessemos que classificar este trabalho, certamente o chamaríamos de “arteâ€, e coisas assim classificadas não costumam trascender os museus. Falta aos meios mais “massivos†encontrar alguma oportunidade para dar ao leitor a chance de tirar suas próprias conclusões, mais do que “simplesmente” informar.

O título do post é uma música do Wilco.

Pra quê?

Aqui não vai ter post sobre o MacBook Air, tá?